8.8.17

Voltar a ser feliz


Queria ter escrito este post ontem e, apesar de ter começado o dia com alguma energia e entusiasmo, infelizmente não consegui manter-me nesse registo por muito tempo. Ontem foi dia 7. E o dia 7 nunca mais será o mesmo para mim. Fez ontem quatro meses que vi o meu Pai partir, tenho feito os possíveis e os impossíveis para seguir este caminho mas há dias em que tudo o que consigo é ficar escondida em casa a olhar para uma parede, num silêncio que me incomoda mas que sei que é necessário para arrumar a minha cabeça e os meus pensamentos. Já partilhei, várias vezes que, esta coisa do "a vida continua" é uma valente treta. Sim, óbvio que tem de continuar, de algum jeito, mas eu ainda me sinto longe de ter paz. Continuo a sonhar imenso, a ter momentos de revolta interior muito grandes. Perdi a maior referência que tinha, o melhor exemplo de um homem correcto. 

Neste ultimo fim-de-semana rumei a sul, tinha um trabalho e aproveitámos para descansar um pouco porque esta coisa de não ter férias numa altura em que andamos cansados de tantas mudanças não é fácil. 
Desde que me lembro as minhas férias de Verão foram sempre passadas no Algarve, em  casa dos meus pais. com a família toda, os meus primos e padrinhos e amigos que foram crescendo connosco, no areal da praia de Santa Eulália.
Com o falecimento do meu Pai resolvemos vender a casa e, por isso mesmo, este ano até isso foi diferente. E a verdade é que foi difícil de aceitar que essa realidade nunca mais iria acontecer. Fomos muito felizes ali, foi naquela casa, numa noite quente de Verão, que contei ao meu Pai que me tinha apaixonado pelo Carlos, com quem acabei por me casar. Foi ali que se conheceram e passaram tantos serões na varanda a contar histórias e mais histórias. Que saudades ...

E este fim-de-semana, com apenas dois dias, como qualquer fim-de-semana, soube-me pela vida. Porque aproveitei ao máximo cada minuto, cada raio de sol, cada mergulho, tudo.
Nesta nova fase da minha vida aprendi que é possível ser-se feliz com pouco, ou melhor, ser feliz nas coisas mais simples da vida. E tenho feito para que na maioria dos meus dias me possa sentir grata por alguma coisa simples mas bonita, importante e que faça o meu coração feliz.

Volto sempre aos sitios onde fui (muito) feliz, sempre. Para mim só assim faz sentido. Voltei aos Salgados, a praia que tanto amo, voltei à minha Riviera (melhor pastelaria de sempre com o melhor pão de Deus deste mundo), voltei ao Bliss para dançar ate ser dia. Foi tão mas tão bom! 
Sol, comida boa e muito namoro e não preciso de mais para me sentir feliz. Verdade!

Pequeno almoço no D.Pedro Marina, Vilamoura













Fato banho e biquini: H&M (antigos)

Caso para dizer que voltava já!
Fiquem por aqui que partilho, num outro post, o jantar giro que tivemos!


Com amor,
Mia

3 comentários:

  1. Confesso que sou seguidora do blog desde há pouco tempo, mas quero-lhe dizer que ganhou uma fã. Identifico-me com a sua escrita e mais ainda com a sua mensagem acerca da busca pela paz/felicidade. Sinto força nas suas palavras!
    Força, muita força!
    Um grande beijinho!
    Alexandra

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  2. O dia 7 também passou a ser trágico para mim :(
    Perdi o meu pai dia 7 de Junho com apenas 45 anos vitima de um ataque cardíaco fulminante.
    revejo-me muito em ti li os teus post's sobre a morte do teu pai e custou-me mal imaginava eu que dois meses depois seria eu a passar por uma situação semelhante.
    beijinho e muita força

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  3. Querida Mia,
    Já sabes que o teu blog é daqueles que adoro ler.
    Ninguém nos tira a dor da perda; a saudade de tudo I que foi vivido; mas, com o passar do tempo tudo vai atenuando.
    Vivi uma fase muito complicada sobre a situação do meu pai, ainda hoje não consigo esquecer o dia 21 de Junho, o dia que o meu pai foi operado. Foi o maior pesadelo e em privado contei-lhe. Ouço músicas que gosto, embora ao mesmo tempo me fazem recordar tudo o que passei e dá-me vontade de chorar. Provavelmente por tudo o que passei...
    Falando sobre mim... sou uma pessoa extremamente ansiosa, coloco imensa pressão sobre mim no que respeita a trabalho, sou insegura e por mais que saiba que todos nós somos humanos e falhamos, eu fico completamente descontrolada e só me apetece chorar. Não consigo trabalhar o meu lado mais descontraído em momentos de maior pressão. Acabo por me sentir cansada, saturada, deixo de gostar daquilo que faço... Psicologicamente tenho que aprender a ver mais o lado positivo, a ter uma postura descontraída, talvez precise de abrandar e relaxar.
    A Mia é forte e lutadora. Ser feliz é mesmo tal e qual o que descreveu.
    Beijinho forte e apertado

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Obrigada pela vossa visita,
Baci
<3