27.6.17

#vaigordinha


Confesso que estive quase 30 minutos para perceber de que forma iria começar este post. Escrevi, apaguei, voltei a escrever e voltei a apagar. Não existem palavras perfeitas quando falamos de um tema pessoal, opto sempre por falar com o coração, depois há quem consiga entender tudo e há sempre quem faça juízos de valor. Mas não é isso que me impede de falar sobre mim e sobre o meu corpo, sobre aquela que é a relação mais complicada que tenho na vida. É como tudo, há dias melhores e há dias piores, são anos a tentar aceitar uma imagem reflectida no espelho que fica longe daquilo que desejava. São anos cansada de não ser compreendida. De falar no assunto e de levar com gargalhadas, sorrisos e bocas que não entendo. 
Comecemos por partes, não sou obesa nem pretendo que este post, de alguma forma, possa ferir a susceptibilidade de alguém. No entanto, não sou feliz com o meu corpo e, de há um ano para cá, ficou tudo mais complicado nesta relação. Uma série de problemas pessoais que afectaram a minha vida, a todos os níveis, no meio de uma enorme sensação de vazio, refugiava-me muitas vezes na comida, sem conta peso e medida. A culpa, essa malvada, acabava sempre por aparecer mas tarde demais. Arranjei mil e uma desculpas para faltar aos treinos, e dava por mim fechada em casa, a evitar tudo e todos por não me sentir bem. Sempre vesti o XS, tenho 1,56cm, ou seja, sou pequena e por isso, mal a balança aumenta sinto logo diferença. Percebi, com o passar do tempo, que tinha ganho peso. Não sabia quanto e confesso que, durante muito tempo, evitei qualquer balança. Dei por mim a comer muita coisa que não devia, e aquilo que durante tanto tempo cheguei a admirar em mim, a persistência, tinha desaparecido. Impressionante como antes podia estar toda a gente à minha volta a comer porcarias e eu não estava nem aí para isso, agora "o dizer que não" parece-me a coisa mais difícil deste mundo. 

Desde que o meu Pai ficou doente eu senti o meu mundo desmoronar, admito perfeitamente que precisei de recorrer a ajuda de uma psicóloga, alguém que me ouvisse, me ajudasse e, acima de tudo, não me julgasse. Sentia que eram tantas perdas ao mesmo tempo que eu mesmo não sabia o meu caminho, de que forma me orientar. Tomei medicação, passava noites sem dormir. Chorava por tudo e por nada, quantas e quantas vezes me levantei eu da minha secretária no trabalho para me esconder na casa de banho a chorar. 

Nesse processo, o XS deu lugar a um S (e em algumas peças até mesmo ao M). Grande parte dos meus calções de ganga, por exemplo, deixou de me servir. Não há forma mais cruel de perceber que o nosso corpo mudou do que a nossa roupa não cair da mesma forma. Mas foi preciso muito mais do que isto para eu tomar uma atitude. Cheguei ao ponto de estar dias e dias sem me olhar a um espelho de corpo inteiro, passava creme no corpo sem me olhar. Escondia-a de mim mesma. E vivi profundamente triste durante este último ano. 

Duas semanas antes de o meu Pai partir, enchi-me de coragem e voltei aos treinos, fui partilhando algumas fotos nas redes sociais, o meu #vaigordinha foi muitas vezes mal compreendido é verdade mas, acreditem que é uma forma de me motivar a mim mesma para eu me mexer. Sentia-me animada e com força para voltar a gostar de mim. Infelizmente a vida passou-me a perna e confesso que, desde que fiquei sem o meu Pai, que foi muito duro voltar à minha rotina normal.
Percebi que precisava de ajuda à séria e, desta forma, recorri ao programa da Well's, o slim Well's, com a ajuda de uma nutricionista foi-me feito um plano alimentar que juro que tenho tentado seguir à risca. Nestas coisas, nunca minto, e aquilo que lhe disse, após ter explicado um pouco daquilo que tem sido a minha vida nos últimos tempos, foi que na minha rotina existem muitas apresentações por dia, muitos eventos, onde nem sempre é fácil praticar uma alimentação muito saudável. Tenho uma espécie de diário alimentar onde vou colocando aquilo que vou comendo, o que me ajuda a perceber os erros! Na primeira consulta lá chegou o momento que eu tanto temia, o enfrentar a balança e aquilo que eu estava farta de saber veio confirmar-se, 4 kgs a mais. Sei perfeitamente onde eles se encontram, tudo na barriga e nos pneus laterais! ahahah! Malvados!

No fundo, julgo que todas nós sabemos o que devemos comer mas existem pequenos truques que só quem é da área muitas vezes sabe e nos pode dar de forma a ser mais fácil este processo.
Já voltei à Well's para a minha segunda consulta, não perdi nem ganhei peso mas, todas as minhas medidas baixaram, cintura, massa gorda. Conforme me explicou a nutricionista, a verdade é que nós temos tendência apenas em ver o número dos quilos e não as medidas mas perder volume é igualmente importante. Pequei algumas vezes, principalmente no que toca aos doces (a minha desgraça) mas neste momento já me sinto muito mais focada e já consigo dizer que não a muita coisa (go mia go!!).

Antes de terminar, queria dizer-vos que este post é tudo menos um apelo à magreza ou ao facto de só se poder ser gira a vestir um 34 ou um XS. Muito pelo contrário, é um apelo a sermos capazes de nos sentir bem na nossa pele, em sermos capazes de aceitar o nosso corpo. Em sermos capazes de fazer algo por nós. Tem sido uma luta enorme na minha vida, há muitos dias em que saio à rua e, mal me cruzo com alguém, sinto-me sempre inferior, sei que parece estúpido mas é o que sinto. 
Sei também que nós mulheres conseguimos ser muito más umas com as outras no que toca a tudo isto. Estamos sempre prontas para esticar o dedo e dizer "olha só a ..., viste como está tão mais gorda!". A beleza vai muito além do número que vestimos, e infelizmente esta sociedade parece preferir um cabide a alguém com formas mas isso cabe a cada uma de nós tentar, de alguma forma, alterar essa visão e, acima de tudo, sermos felizes com o corpo que temos. 
Prometo continuar dedicada nesta luta, em busca de uma vida mais saudável mas sempre com um sorriso nos lábios. 
No meio das rasteiras que a vida me vai pregando eu prometo não desistir de mim.

Com amor, 
Mia 





10 comentários:

  1. Cara Mia, antes de mais lamento a perda que sofreu e desejar-lhe toda a força deste mundo. Mas queria também dizer-lhe, e por favor não me leve a mal, que antes de resolver o "que está por fora" não se esqueça do que está "por dentro", a baixa auto estima, inseguranças, depressão típica do luto, devem ser também trabalhadas, talvez seja mais fácil e eficaz cuidar de dentro para fora e não o contrário. Peço que não me leve a mal, e já agora, uma vez que nunca comentei nada, digo agora tudo ;), acho a Mia uma mulher linda e inspiradora, e de há uns anos para cá noto uma evolução muito grande, no estilo, elegância, cada vez com mais bom gosto, e esse novo corte então fica-lhe a matar.
    Beijinho grande e força!! Go Mia!!

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    1. Obrigada por este carinho bom. Estou a tratar daquilo que vai ca dentro também, sei que sem isso nada ficara bem. obrigada pela forca e por estar aqui! Um enorme beijinho

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  2. Olá Mia, quando a vida nos prega assim partidas é difícil encontrar força e motivação, sei bem o que isso é. Muita força para manter esse foco (também ando em luta para encontrar a minha motivação) e obrigada pela partilha, é muito importante :) Beijinhos

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  3. Fico contente por saber que está a correr melhor e já consegue resistir. Não desistir nunca!!
    Beijinho e força

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  4. Olá Mia,
    Leio muitos blogs, nunca comentei nenhum.
    Ao ler este post no entanto não tenho como não deixar o meu obrigada pelo desabafo tão sincero e muita forca, para qualquer que seja a luta.

    Beijinhos
    Inês

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  5. É transparente a forma como expressas a relação com o teu corpo. Lamento a perda do teu pai e julgo que é somente natural teres passado por uma fase de tristeza e luto.
    Por vezes é quase um crime nos dias que correm assumirmos que somos felizes connosco se vestirmos um tamanho pequeno e por vezes seja 1 tamanho ou seja 4, o que importa é como nos sentimos.
    Concordo com o comentário da Cláudia Marques, o pior mesmo é resolvermos o nosso interior - e eu confesso que resolvi o meu por causa das minhas filhas.
    Espero que ultrapasses as fases menos boas, que consigas os teus objetivos e que consigas, acima de tudo, olhar ao espelho e veres a jovem linda que és :)

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  6. Só o facto de se falar sobre o que corre menos bem já é um passo para o sucesso, ainda que não seja imediato. A verdade é que todas passamos por algo semelhante num qualquer momento das nossas vidas. Seja pelas melhores ou piores razões. Antes de mais importa agradecer a partilha e a admissão de que, apesar de blogger conhecida, se é alguém como qualquer outra pessoa com qualquer outra ocupação. Eu também nunca fui gorda, no entanto, em determinadas alturas tive algum peso a mais para a minha altura (o que também acontece hoje) e nem sempre é fácil encontrar a motivação. E não há mal nenhum nisso. O importante é lutar diariamente para encontrar a força e a motivação que sempre estiveram dentro de cada uma de nós (seja ao falar, ao escrever, ao praticar exercício...) e nunca, mas mesmo nunca desistirmos de nós! Porque todas somos bonitas e merecedoras de coisas boas..Enfim, isto tudo para dizer: Estamos Juntas Mia! :)
    Um beijinho grande
    Cris

    www.lima-limao.pt

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  7. Olá querida Mia, sempre disse que este blog é o meu preferido. Gosto de o ler e tudo o que escreves é transparente.
    Muitas vezes revejo-me nos teus textos e confesso que temos muito em comum.
    Um dia escrevo-te via e-mail para te contar resumidamente a minha história.
    Tu és linda, tens bom gosto, tens um sorriso doce e bonito. A fase do luto é muito difícil mas aos poucos vai atenuando... tudo a seu tempo.
    És guerreira, forte e com toda a tua fé e coragem vais conseguir e com toda a certeza vai tudo correr bem.
    Continua com essa motivação e determinação.
    Muita força!
    Beijinho muito grande ♥️

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  8. Percebo imenso as palavras escritas.Por vezes procuramos a comida para "consular" a dor e preencher o vazio, já o fiz e também vi o resultado na balança. Primeiro que tudo tempos que procurar melhor o que esta dentro e não conseguimos ver, espero que nesse campo esteja também a correr bem. Depois a parte do corpo, vai com certeza ser bem resolvida também.
    Um beijinho enorme e um xi bem apertadinho.

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  9. Também sempre vesti o 34 e S ou XS. Tenho 38 anos e desde os 33 mais ou menos que o meu corpo deixou de "funcionar" da mesma maneira. É perfeitamente normal e está descrito na literatura médica. Se não houver exercício físico e mais cuidado com a alimentação é perfeitamente normal engordar uns quilos à medida que o tempo passa. Está provado que em média ganhamos 10 quilos já a partir dos 50 tendo algum cuidado com a alimentação. Para inverter esta tendência o exercício físico é fundamental. Faço exercício e dieta com alguns pecados pelo meio e só assim com a minha idade consigo manter o peso. Manter. Mas tenho menos firmeza na pele e barriga. Há que aceitar também que não vamos ficar para sempre iguais. O processo de envelhecimento é inevitável. Um beijinho

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Obrigada pela vossa visita,
Baci
<3