14.7.14

O amor a meio termo

O amor a meio termo é a pior espécie de amor que existe – e acredite que há várias –  porque, com verdade é um amor rasteiro, inseguro, que fica a meio do caminho sem que isso lhe importe, que tem muita vontade e que ama loucamente e tal, mas chegada a altura de meter as mãos ao caminho e apertar o cinto às calças, encolhe os ombros e diz “não sei”. Ser meio, não é bom. Não é, minha senhora. Nunca foi. Se algo vai a meio, pergunto-me sempre: porque não chegou ao fim? Quer exemplos?, pois aqui os tem:   

Porque raio é uma meia de leite e não o leite inteiro? Porque diacho se corre uma meia maratona se se pode correr uma maratona? O que é isso de usar o risco ao meio? Acha bem haver uma meia dose nos restaurantes? Eu não acho e, se quer que lhe diga, o amor deve ser sempre uma dose. Melhor: o amor deve ser a dose + uma bebida + café + sobremesa + um digestivo+ a conta se faz favor que tenho entrar agora às duas. E se alguém lhe está a propor isso, quero deixar claro que é também uma meia pessoa. Uma pessoa por inteiro não propõe um amor pela metade. Aliás, se houvesse um partido à séria, daqueles que expulsam militantes só por discordarem  com a linha orientadora do mesmo – os capuchos da vida – não tenha dúvidas que eu proporia à mesa, ao senhor presidente, à Assunção Esteves lá do sítio, que expulsasse liminarmente, ao tabefe se fosse preciso,   o amor a meio termo. Quer pois isto dizer que, se o homem a que se refere lhe propôs isso e também um tempo, é  quase certo que tenha uma amante há mais de dois anos em Badajoz. Lamento. 


Fernando Alvim

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