O INSTAGRAM É O NOVO TINDER

18 de julho de 2019

Talvez seja importante começar por dizer que não tenho Tinder. Não sei ao certo como funciona e não tenho absolutamente nada contra quem tem. Se há algo que me gabo de ter é uma mente aberta e zero preconceitos relativamente a muita coisa que continua a ser julgada na nossa sociedade.
Há uns dias atrás estive no programa Faz Sentido, da Sic Mulher, numa conversa super descontraída sobre esse fenómeno das redes sociais e, no meio de todas as nossas partilhas, acabei por afirmar que sinto que o instagram é mesmo o novo Tinder. É verdade que as redes sociais permitem sentirmo-nos mais próximos das pessoas, o facto de irmos acompanhando o dia a dia de alguém faz parecer que existe uma certa proximidade ou quase uma intimidade, só que não é bem assim, deveria existir aquela linha que separa aquilo que expomos e que queremos partilhar e aquilo que é a nossa vida pessoal e que queremos manter só para nós. A grande parte das pessoas não entende e nem sequer respeita isso, achando que pode dizer qualquer tipo de coisa e isso, isso meus amores, é tema de conversa para um outro post! Foquemo-nos no engate, se assim lhe posso chamar. 
Eu quase nunca me deito cedo e, muitas vezes, é à noite que dedico algum tempo para ler e responder às msg que me enviam. Tenho dias em que tenho dificuldade em adormecer e vai a ver é por muita coisa só parva e tonta que ando a ler.  Não vou partilhar mensagens aqui nem nada do género, por mais que me apetecesse e para algumas pessoas verem se ganham vergonha na cara, que bem precisam! Mas às vezes dou por mim a pensar o quão básicos serão os homens ao pensar que alguma mulher, no seu perfeito juízo, vai querer alguma coisa com uma abordagem tão reles, tão foleira, tão desinteressante... E podia começar por aqueles que nem se dão ao trabalho de alterar a sua foto de perfil e tentar "dar tudo" quando aparecem com a mulher e com a filha ao colo, pleaseeeee!!! Por amor de todas as Santas neste mundo, quão péssimo pode ser isso??? Até podiam ser o Bradley Cooper desta vida que iam ser igualmente um nojo ao fazerem isso. Um verdadeiro nojo é também aquele que acha que, só porque colocamos uma foto de Bikini ou lingerie, estávamos mesmo a pedi-las! Jura?? E ficares calado? Tipo ver e seguir o teu caminho? Será assim tão difícil? Para alguns é impossível manter a boca fechada. No outro dia, alguém dizia que mais valia acompanhar os meus stories do que comprar a Playboy. Coitado, achava ele que me estaria a elogiar? A sério? Mais cinco minutos de conversa estava a dar-lhe o meu contacto e a combinar um cafezinho tu queres ver?! Só que não! Não mesmo.

Podia estar aqui a enumerar variadissímos exemplos daquilo que é suposto um homem não fazer a uma mulher, o "namoras?", "és tão boa!", "eu bem sei o que te fazia!" e por aí adiante são algumas coisas feias que ninguém quer ler ou ouvir, acreditem! Não só por ser tão básico mas por chegar mesmo a ser muito vulgar. 
Há também aquela espécie bonita que arrisca a dar tudo e, além de uma mensagem privada, ache que o que ficava mesmo bem era um comentário no nosso próprio feed, para memória futura e, se é para dar tudo, que tal dizer que a "esposa" (e ao usar este péssimo termo, convenhamos, que não será preciso mais nada!) até é bonita mas que eu sou  ... bem ... ele nem consegue descrever tamanha beleza!! AHAHAHAHA!  A sério? Isto é real? Pobre mulher! Porque se fosse comigo esse homem não ia ter uma vidinha descansada daqui para a frente, garanto.
Depois, existem aqueles que até conhecemos daqui e dali e que parecem ter uma vida porreira, mulher, filhos, trabalho, zero polémicas mas que, no mesmo momento em que resolvem publicar uma foto com o filho com a típica legenda: oh lucky!!! estão a meter-se com uma miúda qualquer a elogiar-lhe o corpinho danone! Real????? For sure??? Não aguento. Mesmo. De todo. No meio de tudo isto, com menos ou mais conversa que se possa ou não dar, mesmo quando sabem ou fingem não saber que és comprometida, o que aprendi é que parece valer tudo. Tudo. E isso é tão mau, tão vazio, tão sem conteúdo. 

Volto a dizer que tenho zero preconceitos contra as aplicaçōes para encontros e afins, conheço até algumas histórias que tiveram um final feliz, não acho que seja péssimo poder conhecer alguém na noite, como tanta gente acha e gosta de julgar, e também sei que nem todos queremos o mesmo para a vida ou estamos na mesma fase, há quem goste de se divertir e há quem goste de levar a vida mais a sério ou de uma forma mais segura, tentando correr menos riscos. Tudo é válido até porque somos todos diferentes. Mas uma coisa deveria ser universal, o respeito. Por nós e pelo próximo. 

O que me chateia em tudo isto é que me sinto cada vez menos crente nas pessoas, nos afectos, no amor. E eu sou tão pelo amor. Sinto um descrético cada vez maior nos homens, para ser sincera, nas pessoas no geral. Hoje em dia é tudo tão descartável, um dia queremos muito, amamos, vai ser para a vida toda e no outro estamo-nos a barimbar para quem está ao nosso lado e até já estamos de olho na galinha da vizinha que, vá-se lá saber porquê, parece ser sempre melhor que a nossa. 

Não deixa de ser triste e faz-nos pensar numa série de coisas, em valores que poucos ou quase nenhuns parecem já ter. Nunca gostei de rotular pessoas ou de as colocar todas no mesmo saco. Tenho a sorte de ter a meu lado pessoas com bom coração e que ainda conhecem o significado da palavra respeito. Acho que devemos sempre lutar por aquilo que é o melhor para nós, devemos quer nada mais que o melhor porque, acima de tudo, merecemos. Sei que com a idade as nossas expectativas em relação à vida e às pessoas são cada vez maiores, tornamo-nos muito exigentes também porque já sabemos o valor que temos e isso só pode ser bom mesmo que torne esta "busca" mais difícil.
Mesmo nos dias em que sinto uma enorme vergonha alheia na minha caixa de msg do instagram que eu nunca deixe de acreditar que é possível ser diferente, é possível e não custa assim tanto.

Com amor,
 Mia 








A ESQUIZOFRENIA DE SÃO PEDRO

17 de julho de 2019

Uma pessoa acorda pela manhã e não sabe se foi tudo um sonho ou se continua em Janeiro tal é o frio que se sente e a cor cinzenta que o céu apresenta. Abro a janela da cozinha enquanto a máquina prepara o primeiro café do dia. E ali fico, parada, a observar a rua e a sentir o vento que entrar sem pedir licença alguma. 17 de Julho, daqui a pouco chega Agosto e o Verão que é bom, teima em não dar o ar da sua graça. E não me venham dizer que isto é coisa do Mercúrio Retrógrado, fenómeno esse que sinceramente ainda não consegui entender mas que já me enjoa devido a tanta exposição e protagonismo nas redes sociais, isto para mim tem tudo a ver com a bipolaridade das pessoas. As mesmas que passam a vida a queixar-se da ausência de calor mas que, no único dia em que fez calor à séria (quinta-feira passada), passam literalmente o dia todo a queixar-se que " está um calor que não se aguentaaaaa", "ninguém suporta trabalhar assim", "ai que moleza que isto dá!" !!! Pessoas! Pessoas, menos por favor. Muito menos. Num dia não podemos estar a pedir uma coisa e no dia seguinte, quando ela finalmente acontece, quase por magia, a única coisa que sabemos fazer é queixarmo-nos disso. Tão português, não concordam? 

Por amor de todas as Santas não se queixem tanto e aprendam a ser mais felizes com aquilo que a vida vos dá. Estamos a meio de Julho e sim, seria normal que as temperaturas estivessem um pouco mais elevadas, que ninguém tivesse de sair de casa pela manhã com um agasalho, que não tivéssemos de comer quilos de areia cada vez que tentamos ir à praia, que pudéssemos terminar o dia numa esplanada a comer uns caracóis e uma imperial sem ficar de cama no dia seguinte, completamente conquistadas!
Tudo isto é normal, certo? E era só este "normal básico" que eu esperava de Julho e que seria uma enorme ajuda para a minha motivação e inspiração andarem um bocadinho mais em alta. 

São Pedro anda ocupado demais para querer saber de nós, da nossa vidinha, da malta que já pagou as férias e que agora acha que não vai dar uso à piscina nem às bóias em forma de flamingo que andou a comprar o ano passado nas promoções do LIDL (e com isto lá se foram as fotos sexys para o instagram), e que agora vai ter de agarrar nos putos e fazer aquelas excursões espectaculares pelos shoppings do Algarve ... A sério que não conseguem sentir toda esta animação? Pois eu consigo mas prefiro mesmo acreditar que a esquizofrenia de São Pedro é tanta que amanhã regressa esse bafo quente que o meu Iphone anuncia há dias e que estamos todos a precisar para que possamos voltar à roupa fresca! E a acontecer isso, please, aguentem-se e não reclamem tanto, sorriam e agradeçam à vida pelas coisas simples mas boas que vamos tendo.

Com amor,
Mia 





JULHO

9 de julho de 2019
fotografia: Pedro Sadio

Estou desde o dia um para escrever sobre Julho. Mas achei que não o devia fazer ainda. Aceitei o conselho da minha Mãe que me diz que, quando estamos tristes ou menos bem com a vida, devemo-nos recolher, proteger e deixar que tudo isso passe ou abrande. Não sinto que as coisas estejam assim tão diferentes desde a semana passada mas percebi que precisei desse tempo só para mim, para me ouvir e para, acima de tudo, tentar perceber que caminho quero seguir.

Também é possível (e necessário) crescer nos momentos menos bons. E também não há mal nenhum se não formos capazes de sorrir todos os dias. Ninguém é feliz todos os dias. Não me venham com tretas. Óbvio que podemos sempre pintar uma realidade cheia de cores bonitas, alegres e passar para os outros aquilo que mais nos convém. É menos difícil, até para nós mesmos, continuar a fingir que está tudo bem ou que estamos confortáveis neste lugar. Eu não estou. De todo. E sei que preciso de mudar, de fazer isso por mim, por um futuro onde me possa voltar a sentir feliz, completa, amada. Preciso voltar a gostar de mim, aceitar-me do jeito que sou, sem o peso de uns olhos que acham que nunca chega, que nunca é suficiente. Podemos (e devemos) ser felizes com tão pouco. Mas para sermos capazes de perceber isso é fundamental que estejamos bem connosco primeiro. Tomar consciência de que podemos ser igualmente bonitos com todas as nossas imperfeições, de que podemos tomar decisões que mais tarde nos façam perceber que erramos, mas errar também só acontece a quem tenta, a quem vai à luta, a quem dá o corpo às balas. Se for preciso recomeçar então que assim seja, vamos sempre a tempo. O coração sabe muitas vezes aquilo que é melhor para nós mesmo que a nossa cabeça tente provar o contrário ou nos tente dificultar o processo.

Quando perdi o meu Pai prometi a mim mesma que não queria para mim coisas poucas, pouca atenção, pouco amor, pouca felicidade, pouca realização. A vida é um sopro, uma viagem que acontece depressa demais. Temos de perceber que somos a nossa maior prioridade e lutar por aquilo que desejamos, e que se correr mal só temos uma hipótese: levantar e seguir uma vez mais o caminho. As vezes que forem precisas. Se custa? Custa muito. Achamos que não é possível, que não vamos merecer mais, que não teremos força para suportar tudo mas é aí que a vida nos mostra que somos capazes de tão mais do que imaginamos. E nos dias em que dói mais não tem mal nenhum admitir que precisamos de colo, de um abraço, de uma palavra amiga. Não estamos sozinhos. 

A semana passada eu já sabia tudo isto mas não era capaz de o verbalizar.  Sei que vou continuar a ter muitos dias em que não vou querer ver ninguém, em que vou precisar do meu tempo e do meu espaço para chorar, para gritar, para deitar tudo cá para fora. Vou precisar de me olhar e perceber que um dia a luz que eu sempre vi em mim, nos meus olhos, vai regressar e vai brilhar ainda com mais intensidade.
Eu (só) quero ser feliz. E que eu nunca me esqueça disso.

Com amor,
Mia 






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