o amor. sempre o amor.

21 de agosto de 2019

coloca amor em tudo o que fazes, nas tuas palavras, nos teus gestos, no teu olhar, no teu melhor abraço. coloca sempre amor em cada passo que dás, mesmo quando não tens certeza do caminho que percorres. 
ama sempre que puderes, perdoa sempre que conseguires, tenta não guardar rancor, mágoa ou qualquer outro sentimento que te possa fazer menos bem.

a vida é uma passagem, uma viagem, que a saibamos viver em pleno, que saibamos correr atrás do que nos faz feliz. que saibamos ser mais gratos pelo que temos, que não percamos (tanto) tempo na tristeza. 
que saibamos dizer mais vezes "gosto de ti", "desculpa", "vai ficar tudo bem". 

nada na vida acontece por acaso. as pessoas não chegam à nossa vida só porque sim. cabe-nos entender esse propósito. cabe-nos determinar a importância que elas devem ter nos nossos dias. dar-lhes o espaço e o tempo que merecem.
quantas vezes somos felizes e nem nos apercebemos? quantas vezes estamos a amar e nem nos damos conta? a vida surpreende-nos. tantas e tantas vezes. a vida sabe sempre o que faz. sempre. 


{Raras são as vezes em que nos apercebemos da felicidade no instante em que somos felizes}.
José Eduardo Agualusa


Com amor, 
Mia 


Os que vão, os que voltam e os que não chegam a ir.

19 de agosto de 2019

Nem me recordo de qual foi o meu pensamento quando percebi que não ia ter férias este ano. Não adianta avançar com motivos ou algo do género, há coisas que temos apenas de aceitar e levar da melhor forma que formos capazes. E é isso mesmo que tenho feito, uns dias a dormir muito pouco, noutros um bocadinho mais e a gestão de algumas mudanças de humor e paciência. Faz tudo parte menos queixar-me diariamente disso. Isso foi sempre que algo que tentei não fazer. Porque adianta zero e só piora tudo, só faz com que tudo fique menos fácil.
Se sinto o meu corpo a pedir descanso? Sim, sinto, mas muito mais do que o corpo sinto que a minha cabeça precisava de ser capaz de desligar por um pouco. Só um pouco. Dou por mim, inconscientemente a fugir de pensamentos, de pontas soltas na minha cabeça, de memórias que preciso muito de arrumar de vez. 
Nas últimas semanas tenho partilhado convosco o drama das obras à minha volta, o barulho constante e insuportável e a enorme dificuldade que é trabalhar com essa banda sonora a gritar-me na cabeça. Hoje mesmo, eram 7h50 e já tinha começado o concerto, tinha dormido super mal e levantei-me furiosa, tirei o primeiro café do dia e enquanto ele arrefecia veio-me à memória uma coisa muito boa e. quando dei por mim, já tinha soltado um enorme sorriso. Não vale a pena demorar-me no queixume, no que não tenho, no que não posso e muito menos em coisas que não me cabe a mim alterar. Passo a vida a dizer que perdemos tempo demais em coisas de menos porque é mesmo isso que sinto. Agora os que regressaram dos quinze dias de férias não vão saber fazer outra coisa que não seja dizer mal do trabalho e do regresso às rotinas, e os que começaram ainda agora o bem bom já se estão a queixar da falta de calor (que por acaso até parece ter vindo para ficar). E os que não chegam a ir? Não terão ainda mais motivo para se queixar? Eu lá vou tendo os meus momentos, muitos deles em silêncio, mas também os tenho. Mas percebi que não ganho nada com isso, só mais frustração e stress e isso meus amigos, eu não preciso,  já basta ter de saber lidar com a minha ansiedade diária.

Vamos todos tentar ser um bocadinho mais gratos pelo que temos. Mais agradecidos à vida, principalmente pelas coisas simples, as que quase nunca parecem ter importância mas que fazem tanta diferença nos nossos dias. Vamos todos ser capazes de sorrir mais, abraçar mais, amar mais.
Tenho trocado os dias de praia usuais de Agosto, por dias de trabalho, tenho escrito mais, tenho produzido mais, tenho feito muitos rascunhos de coisas boas que gostava muito de ver acontecer em Setembro. Tenho tentado colocar-me mais vezes como prioridade mas sem nunca deixar de ter tempo para os meus. Tenho dito "gosto de ti" às pessoas que amo, tenho dados abraços, tenho ouvido música descalça pela casa. Tenho observado mais o que realmente importa e tenho criado, cada vez menos, expectativa sobre a vida e sobre aquilo que ela reserva para mim. É o chamado viver um dia de cada vez. E que bem me tem sabido.








 Boa semana e, se for caso disso, boas férias!

Com amor,
Mia 





NEVER MISS A MONDAY


Eu não gosto de ir ao ginásio, de treinar. Nunca gostei. Nunca vou até lá cheia de pica ou a distribuir sorrisos. Não vos sei explicar bem mas é como se me sentisse sempre desconfortável, como se não me encaixasse ali. Tento nunca olhar muito à minha volta mas quando o faço sinto-me sempre diferente de todos, elas são quase todas altas, com a barriga super definida, com o equipamento todo XPTO e a combinar com tudo, eles enormes e musculados, qual capa da GQ e depois estou eu, metro e meio mal medido de gente, com uma barriga que não gosto de exibir (tirei a tshirt apenas para a fotografia) e com imensa vergonha. Pode parecer ridículo, acredito, mas é o que sinto. Vou quase sempre a arrastar-me até ao Holmes Place, escolho uma banda sonora que me dê a vibe que preciso e coloco os phones para que não tenha de haver conversa com ninguém. Confesso que nem sou um "bicho do mato" mas a verdade é que neste ambiente dispenso o social :)

Quem já chegou aos 30 percebeu que há toda uma mudança no nosso metabolismo, no nosso corpo. Antigamente bastava-me fechar a boca 2 dias e conseguia perder o que queria, hoje é tão mas tão diferente. Não é por isso que não deixo de gostar muito mais de mim agora de quando tinha 20 mas sei que a dedicação e o empenho por uma vida mais saudável tem de ser levada com uma  maior consciência.
Durante a maior parte da minha vida eu comi com culpa. Com imensa culpa. Fiz muita coisa feia que me fez mal. Magoei muito o meu corpo, penalizei-me por simplesmente alimentar-me. Como se eu não tivesse direito a comer uma taça de arroz doce depois de uma refeição ou como se um copo de vinho me fosse matar. Olhar-me ao espelho era um processo duro, fazia-o muito a correr e sentindo sempre imensa vergonha no que via. Vivi anos de vida sem ser capaz de ser feliz comigo, com os outros, de me aceitar do jeito que era. Sentia-me sempre a mais feia de qualquer sala onde entrasse.

Depois dos 30 percebi que gostava de comer. À séria. E percebi que, para ser capaz de o fazer sem sentir tanta culpa, tinha de aprender a viver com algum equilíbrio, se peco hoje amanhã tenho de compensar esse estrago. Eu digo muita vez que vou ao ginásio para poder comer, porque essa é a verdade. 
Hoje, aos 38 anos de idade, o melhor presente que me podem dar é o prazer da companhia das pessoas que amo a partilhar uma refeição, sem pressas e com tudo aquilo a que temos direito, e isto inclui, obviamente, uma boa sobremesa :)
Tenho dias em que ainda como com culpa, tenho fases em que não me consigo olhar ao espelho quando saio do banho, em que coloco o creme no corpo sem olhar para o que faço, tenho dias em que evito que me olhem, em que preciso de me esconder, de me proteger. Felizmente esses dias já não acontecem com a mesma frequência, não que eu tenha esquecido o que vivi mas luto muito para não voltar ali, para não me magoar dessa forma. 
Há outros dias em que sorrio ao espelho e penso que a idade até não me tem feito assim tão mal. A vida tem-me pregado muitas partidas mas eu continuo a ser capaz de me ir levantando, umas vezes com mais dificuldade do que outras mas sempre sem desistir.

Tudo isto para vos dizer que hoje, segunda-feira, começo de toda uma nova semana, e depois de alguns estragos no fim de semana, lá fui eu a arrastar-me, de cara feia, até ao ginásio.
Uma hora depois sentia-me outra, aquela dorzinha nas pernas que acusa o efeito pretendido e um cansaço que me faz sorrir e motivar para que esta rotina se repita por mais dias da semana. 
Inspiro-me em muitas pessoas que estão ao meu redor mas quero, em primeiro lugar, inspirar-me em mim mesma e na minha história. 
Quem já treinou hoje?


Boa semana!

Com amor, 
Mia 



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