o silêncio

23 de agosto de 2019

quem tem acompanhado a novela mexicana que tem sido a minha vida nos últimos tempos, já percebeu que eu tenho andado, literalmente, à beira da loucura. A verdade é que, sem saber bem como, dou por mim rodeada de obras, é em frente ao meu prédio, nas traseiras e o pior de tudo, o apartamento mesmo por cima de mim. quem já viu alguns dos stories que lá vou fazendo no meu instagram consegue perceber o volume a que toca toda aquela banda sonora, o drama, o horror, a tragédia, não se aguenta mesmo. pior que isso, sim acreditem que há pior, é chegar a casa todos os dias e encontrar todo um cenário de pó por todo o lado, qual terramoto, qual guerra mundial, qual quê! é limpar tudo para no dia seguinte voltar a dar de caras com o mesmo pesadelo.

no final do dia, e apesar de tudo isto, continua a ser o meu sítio favorito para voltar. a luz que entra pela sala sem pedir licença, continua a ser a minha favorita, de todas. aquele lugar onde sentimos paz, onde queremos ficar, sem pressas e com tudo aquilo a que temos direito.
daqui a muito pouco já lá regresso, pronta para receber o meu fim de semana. pronta para aproveitar o tempo sem obrigaçōes, sem grandes coisas combinadas, andar pela casa descalça ao som da minha música. cantar, dançar, quem sabe até cozinhar, fazer aquilo que me apetecer. ser feliz, sempre e cada vez mais, nas coisas mais simples da vida.

bom fim de semana meus amores. 


Com amor,
Mia 





o amor. sempre o amor.

21 de agosto de 2019

coloca amor em tudo o que fazes, nas tuas palavras, nos teus gestos, no teu olhar, no teu melhor abraço. coloca sempre amor em cada passo que dás, mesmo quando não tens certeza do caminho que percorres. 
ama sempre que puderes, perdoa sempre que conseguires, tenta não guardar rancor, mágoa ou qualquer outro sentimento que te possa fazer menos bem.

a vida é uma passagem, uma viagem, que a saibamos viver em pleno, que saibamos correr atrás do que nos faz feliz. que saibamos ser mais gratos pelo que temos, que não percamos (tanto) tempo na tristeza. 
que saibamos dizer mais vezes "gosto de ti", "desculpa", "vai ficar tudo bem". 

nada na vida acontece por acaso. as pessoas não chegam à nossa vida só porque sim. cabe-nos entender esse propósito. cabe-nos determinar a importância que elas devem ter nos nossos dias. dar-lhes o espaço e o tempo que merecem.
quantas vezes somos felizes e nem nos apercebemos? quantas vezes estamos a amar e nem nos damos conta? a vida surpreende-nos. tantas e tantas vezes. a vida sabe sempre o que faz. sempre. 


{Raras são as vezes em que nos apercebemos da felicidade no instante em que somos felizes}.
José Eduardo Agualusa


Com amor, 
Mia 


Os que vão, os que voltam e os que não chegam a ir.

19 de agosto de 2019

Nem me recordo de qual foi o meu pensamento quando percebi que não ia ter férias este ano. Não adianta avançar com motivos ou algo do género, há coisas que temos apenas de aceitar e levar da melhor forma que formos capazes. E é isso mesmo que tenho feito, uns dias a dormir muito pouco, noutros um bocadinho mais e a gestão de algumas mudanças de humor e paciência. Faz tudo parte menos queixar-me diariamente disso. Isso foi sempre que algo que tentei não fazer. Porque adianta zero e só piora tudo, só faz com que tudo fique menos fácil.
Se sinto o meu corpo a pedir descanso? Sim, sinto, mas muito mais do que o corpo sinto que a minha cabeça precisava de ser capaz de desligar por um pouco. Só um pouco. Dou por mim, inconscientemente a fugir de pensamentos, de pontas soltas na minha cabeça, de memórias que preciso muito de arrumar de vez. 
Nas últimas semanas tenho partilhado convosco o drama das obras à minha volta, o barulho constante e insuportável e a enorme dificuldade que é trabalhar com essa banda sonora a gritar-me na cabeça. Hoje mesmo, eram 7h50 e já tinha começado o concerto, tinha dormido super mal e levantei-me furiosa, tirei o primeiro café do dia e enquanto ele arrefecia veio-me à memória uma coisa muito boa e. quando dei por mim, já tinha soltado um enorme sorriso. Não vale a pena demorar-me no queixume, no que não tenho, no que não posso e muito menos em coisas que não me cabe a mim alterar. Passo a vida a dizer que perdemos tempo demais em coisas de menos porque é mesmo isso que sinto. Agora os que regressaram dos quinze dias de férias não vão saber fazer outra coisa que não seja dizer mal do trabalho e do regresso às rotinas, e os que começaram ainda agora o bem bom já se estão a queixar da falta de calor (que por acaso até parece ter vindo para ficar). E os que não chegam a ir? Não terão ainda mais motivo para se queixar? Eu lá vou tendo os meus momentos, muitos deles em silêncio, mas também os tenho. Mas percebi que não ganho nada com isso, só mais frustração e stress e isso meus amigos, eu não preciso,  já basta ter de saber lidar com a minha ansiedade diária.

Vamos todos tentar ser um bocadinho mais gratos pelo que temos. Mais agradecidos à vida, principalmente pelas coisas simples, as que quase nunca parecem ter importância mas que fazem tanta diferença nos nossos dias. Vamos todos ser capazes de sorrir mais, abraçar mais, amar mais.
Tenho trocado os dias de praia usuais de Agosto, por dias de trabalho, tenho escrito mais, tenho produzido mais, tenho feito muitos rascunhos de coisas boas que gostava muito de ver acontecer em Setembro. Tenho tentado colocar-me mais vezes como prioridade mas sem nunca deixar de ter tempo para os meus. Tenho dito "gosto de ti" às pessoas que amo, tenho dados abraços, tenho ouvido música descalça pela casa. Tenho observado mais o que realmente importa e tenho criado, cada vez menos, expectativa sobre a vida e sobre aquilo que ela reserva para mim. É o chamado viver um dia de cada vez. E que bem me tem sabido.








 Boa semana e, se for caso disso, boas férias!

Com amor,
Mia 





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